Imagem Corporativa: Vaidade ou estratégia?

Atualizado: há 15 horas

No mercado jurídico, capacidade técnica é pré-requisito básico. O cliente compra segurança, previsibilidade e reputação — e, muito antes de ler o currículo, a imagem do escritório já definiu uma parte importante da decisão.
Recentemente, numa conversa sobre o alinhamento visual de um escritório de advocacia, falamos justamente sobre o impacto da presença digital do corpo diretivo. Mudar ou atualizar a imagem institucional de uma banca não é um exercício de vaidade estética, mas uma decisão estratégica de marca.
Um bom retrato leva em consideração diferentes aspectos que potencializam os valores que o escritório deseja transmitir, evitando o que chamo de ruído invisível da comunicação: quando a marca gostaria de dizer algo, mas as imagens dizem outra coisa.
Não é raro encontrar bancas de altíssimo nível com retratos genéricos, recortes de fotos sociais ou imagens que não refletem a senioridade. Esse descompasso cria um ruído sutil — o cliente percebe um estranhamento ao olhar as fotos de perfil no LinkedIn ou no site institucional, algo que não sabe dizer exatamente o que é, mas que contribui para sua decisão de saber mais ou passar à próxima opção. Pode ser o desalinhamento entre as imagens dos sócios, feitas em momentos e situações diferentes, ou uma foto amadora de um estagiário que acabou de entrar. O fato é que algo está fora do lugar, como uma nota desafinada — uma sensação estranha e sem muita lógica, mas que ajuda a formar a primeira impressão. E como diz o ditado, é essa a que fica.
Direção: a escolha certa das cores, do fundo e da pose
É normal sentir desconforto na hora de fazer um retrato. Eu mesmo digo que virei fotógrafo porque nunca quis aparecer nas fotos. Além disso, há o receio de parecer artificial, engessado num banco de imagens genérico. Mas para isso existe uma solução bem mais simples do que escrever uma petição inicial.
Construir imagens que transmitem autoridade e comunicam valores, mantendo o tom humano e pessoal, exige direção e entendimento prévio de contexto:
Alinhamento de postura e linguagem — entendo a linha de comunicação, apresento referências e proponho conceitos antes da sessão;
Diálogo com o ambiente — utilizo o ambiente para contar a história e o porte do escritório, sem parecer forçado ou pedante;
Leitura de momento — entendo a direção do escritório: aquisição de novos clientes ou manutenção dos atuais pedem aproximações diferentes, e a imagem comunica isso também;
Sintonia com a narrativa — quando também escrevo os textos, garanto que a biografia no LinkedIn fale a mesma língua que as fotografias transmitem.
Imagens corporativas não deveriam apenas povoar com rostos e currículos uma seção do site institucional. Elas são uma oportunidade de traduzir, com clareza e propósito, a comunicação estratégica da marca, do escritório, dos sócios e advogados.

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